Cantora de 'dark pop' quase integrou o Cirque du Soleil e participou de reality show gigante na Ásia, mas esbarra nas barreiras do mercado musical nacional.


FOTO: DIVULGAÇÃO/INTERNET



A internet consolidou um fenômeno curioso na indústria musical contemporânea: o artista que conquista o mundo antes de ser reconhecido no próprio país. Este é o cenário de Alexia Evellyn, cantora brasileira que acumula uma base de fãs gigantesca nos Estados Unidos, Europa e, principalmente, na Ásia, mas que ainda caminha quase anônima pelas ruas do Brasil.

​Com cerca de 75% de seu público localizado fora do território nacional, a artista escancara como os algoritmos das redes sociais podem criar bolhas de sucesso globais que não necessariamente refletem o consumo local.

​O empurrão do algoritmo e a explosão na Ásia

​A virada na carreira de Alexia aconteceu no auge da pandemia de Covid-19. Sem a possibilidade de se apresentar presencialmente, ela recorreu ao TikTok e ao Instagram. O algoritmo, no entanto, não entregou seus vídeos de forma massiva para os brasileiros, mas sim para o público internacional.

​O grande estopim ocorreu na China. Seus vídeos cantando alcançaram a marca de quase um bilhão de visualizações nas plataformas do país asiático. O impacto digital foi tão grande que rendeu um convite para participar do Singer 2024, um dos maiores programas de TV da emissora chinesa Mango TV, consolidando sua imagem no outro lado do mundo.

​Do Cirque du Soleil ao 'Dark Pop'

​Antes mesmo da viralização, a trajetória de Alexia já apontava para o mercado externo. A cantora chegou a assinar um contrato para ser a vocalista de um espetáculo do Cirque du Soleil. O projeto acabou cancelado devido às restrições globais da pandemia, forçando-a a focar na criação de conteúdo digital.

​Sua sonoridade e estética também explicam o apelo internacional. Focada no que a crítica chama de dark pop ou pop alternativo com influências folk, Alexia mistura raízes, percussão intensa e uma presença de palco dramática. Na mídia internacional, ela é frequentemente comparada a nomes como Aurora, Florence + The Machine e até mesmo Enya, um nicho com um público extremamente fiel lá fora.

​Por que o Brasil ainda não a abraçou?

​O distanciamento do grande público brasileiro se deve a dois fatores principais: idioma e mercado. Seus maiores hits virais, como "Savage Daughters" e "Stand In Your Power", são cantados em inglês. Embora ela traga elementos percussivos da cultura brasileira em suas faixas, o uso do inglês cria uma barreira de entrada para as rádios comerciais e para o mainstream nacional, que consome esmagadoramente música em português.

Capa do Vídeo Alexia Evellyn Play com a nossa marca

Além disso, o mercado fonográfico brasileiro atual é amplamente dominado por gêneros gigantes e já consolidados, como o Sertanejo, o Funk, o Trap e o Pagode. Artistas de pop alternativo e indie costumam enfrentar uma jornada muito mais íngreme para furar a bolha nacional.

​Apesar do sucesso internacional, Alexia Evellyn tem demonstrado o desejo de se conectar com as suas raízes. A artista vem realizando movimentos para o mercado interno, como o lançamento recente de projetos e a realização de shows em casas de espetáculo respeitadas na cena alternativa de São Paulo.

​A trajetória da cantora repete uma fórmula já vista na cultura pop: o sucesso "de fora para dentro". Após se provar gigante no exterior, a mídia e os festivais nacionais começam a voltar os holofotes para o talento exportado, abrindo, finalmente, as portas de casa para a artista.