Capa da Resenha

O Corpo em Combustão Lenta

Depois da agressividade de Princesa, a banda goiana Carne Doce regressou com Tônus (2018). É uma obra que abranda o ritmo e reduz o volume dos gritos, mas que não perde um milímetro de tensão. É um estudo cirúrgico sobre a insegurança feminina perante o envelhecimento, o tédio nas relações duradouras e as expectativas em torno do prazer e do corpo.

A Estética: Baixo Denso e Letargia

Os arranjos rastejam como o calor insuportável das 15h no cerrado. A guitarra de Macloys adota um timbre letárgico, psicodélico e espaçado, criando a cama perfeita para as declamações de Salma Jô. "Nova Nova" e "Comida Amarga" exalam uma estranheza crua, provando que o desconforto bem tocado soa maravilhosamente bem.

"Tônus não te convida para dançar; obriga-te a sentar no sofá e encarar as tuas piores neuras sobre afeto."

O Veredito

Uma evolução lírica e sónica irrefutável. Carne Doce estabeleceu um marco no rock alternativo brasileiro, com a audácia de não precisar de barulho excessivo para destruir quem os escuta.