O Choque Elétrico do Norte

Gaby Amarantos já tinha nos feito "tremer", mas com Purakê (2021) ela convida-nos para um passeio de barco num rio digital. O título do álbum faz referência ao peixe elétrico amazónico, e a metáfora é perfeita: a obra é uma descarga de alta voltagem que mistura ancestralidade folclórica com a vanguarda dos sintetizadores e das aparelhagens modernas.

A Estética: Tecnobrega Futurista

Com a produção visionária de Jaloo, as guitarradas clássicas ganham uma roupagem de neo-soul e pop de arena. Faixas como "Vênus em Escorpião" provam que o Pará não é apenas uma "influência regional" no mapa brasileiro; é o epicentro de uma revolução estética que olha diretamente para o futuro, sem largar a mão da poética dos rios.

"Gaby prova que o futuro do Brasil não é cinza de concreto; é verde, molhado e movido a batidas eletrónicas suadas."

O Veredito

Um disco maduro, riquíssimo em colaborações de luxo e que recusa o rótulo limitador de "música regional". Purakê exige que o pop brasileiro se curve diante da magnitude e do suingue inimitável do Norte.