O Pop do Terreiro
Majur nunca se encolheu perante as lentes. Em Arrisca (2023), ela dá um salto para a consolidação da sua persona pop. É um álbum que destila autoconfiança, explorando as dores, os amores e a vivência de uma mulher negra e trans com a cabeça erguida. O título é literal: ela aposta as fichas no som mais dançante e comercial da sua carreira, e vence.
A Estética: Pagodão, R e B e Ouro
A produção foge da balada intimista para mergulhar no suor. O pagodão baiano encontra o afrobeat e o pop farofa de forma extremamente refinada. O barítono característico de Majur é a âncora que impede o disco de soar genérico, conferindo gravidade a refrões que foram desenhados para explodir em festivais abertos.
"Majur não pede espaço na cena; ela chega, monta o seu próprio trono e exige a coroa com suingue e elegância."
O Veredito
Uma injeção de serotonina justificada. Arrisca prova que as vozes marginalizadas não têm de estar sempre associadas apenas à dor e à denúncia: elas também detêm o direito de celebrar a festa, o tesão e a glória.