A Deusa do Submundo

Catto sempre teve uma voz que parece evocar o fantasma de Edith Piaf passeando pela Lapa. Em Tomada (2015), Catto trocou o tango polido por guitarras de rock cruas, compondo um álbum suado, boêmio e banhado a álcool barato e batom vermelho. É sobre amores que machucam, mas que você pede bis.

A Estética: Androginia e Distorção

A produção é pesada, contrastando perfeitamente com os agudos cristalinos e rasgados. Há uma energia de cabaré punk nos arranjos, onde contrabaixos pulsantes e baterias de garagem servem de tapete vermelho para uma interpretação vocal sempre grandiosa e visceral. É MPB de jaqueta de couro.

"Catto não canta; declama feitiços enquanto quebra garrafas vazias no balcão de um bar sujo."

O Veredito

Um passo corajoso para fora da zona de conforto da "nova MPB". Tomada exala atitude e solidificou Filipe Catto como uma das figuras mais magnéticas, inclassificáveis e esteticamente arrebatadoras da música nacional.