O Último Acto do Luto Afetivo

Rico Dalasam fechou a trilogia das suas feridas com Escuro Brilhante (2023). O rap, frequentemente associado apenas à rima de ego e de protesto social externo, aqui volta-se agressivamente para dentro. Rico destrincha a complexidade do afeto preto e queer: a humilhação do desencontro amoroso, o cansaço do perdão e a necessidade de seguir em frente com as próprias cicatrizes à mostra.

A Estética: Boom Bap, Violão e Sangue Frio

A produção é intimista. O som do violão acústico esbarra nas linhas secas do hip-hop, criando uma melancolia urbana crua. Rico não precisa de gritar para que a sua poesia doa no ouvinte; a entrega vocal dele tem a precisão cirúrgica de quem relata um acidente que acabou de sofrer.

"Dalasam escreve como quem tenta estancar o próprio sangramento num bloco de notas de madrugada. E é lindo."

O Veredito

Profundamente humano e arrebatador. Rico elevou as métricas líricas do rap nacional a uma honestidade literária rara. Um álbum que devia vir com um manual de instruções para o choro inevitável.