O Teatro do Desamor
Se o primeiro disco de Johnny Hooker era sobre amaldiçoar quem te fez sofrer, Coração (2017) é sobre juntar os cacos do próprio peito e voltar para a pista de dança. É um álbum que abraça o melodrama latino e a dor de cotovelo com uma teatralidade digna de Almodóvar, transformando a rejeição num espetáculo de purificação.
A Estética: Axé, Brega e Lágrimas
Hooker expande sua sonoridade pernambucana adicionando guitarras de axé baiano, metais grandiosos e um pop rasgado. A faixa "Flutua", com Liniker, é um manifesto romântico e político construído sobre um arranjo de cordas cinematográfico. A voz de Johnny oscila entre o sussurro exausto e o grito de guerra, vestindo o brega com uma roupagem indie caríssima.
"Coração não bate, ele apanha. E Johnny Hooker transforma cada hematoma num refrão que você grita chorando no karaokê."
O Veredito
Um disco de sobrevivência. Hooker consolidou-se como o herói trágico da música queer brasileira, provando que a vulnerabilidade extrema e a cafonice, quando tratadas com genialidade, são as armas mais letais do pop nacional.