Sussurros na Neblina Sintética
Após o impacto de Tropix, Céu consolidou a sua poética digital com Apká! (2019). O disco é uma meditação suave e incrivelmente ritmada sobre o desejo, o isolamento e as minúcias da vida urbana. O título, um grito inventado pelo seu filho menor que significa a exaltação da surpresa pura, serve como resumo perfeito de uma obra que desliza sem esforço.
A Estética: Arpegiadores e Ouro Velho
Pupillo (produtor) afunda a voz celestial e cheia de sotaque paulistano de Céu numa cama elástica de sintetizadores dos anos 80, batidas de dub e grooves de reggae. A faixa "Coreto" é o som do suor frio, sensual e calculado. É a fusão perfeita entre a estética da música de vanguarda e o calor do suingue tropical.
"Céu não faz esforço para parecer cool; a música dela transpira uma elegância letárgica que ninguém mais consegue falsificar."
O Veredito
Uma cápsula do tempo musical. Apká! confirma Céu como uma das arquitetas sonoras mais formidáveis da sua geração, entregando um álbum impossível de datar e fácil de amar.