O Grito Aprisionado

Há quem procure a arte para encontrar conforto nas tardes de domingo. Para Antonin Artaud, a arte que não arranca a pele e não queima as entranhas é uma arte inútil e burguesa. O seu "Teatro da Crueldade" não pretendia ensanguentar o palco de forma literal, mas sim esmagar a apatia da plateia. Lemos os seus ensaios e sentimos a vibração da sua própria loucura; ele internou a si mesmo na linguagem porque o mundo não estava preparado para suportar tanta ferocidade.

A Estética do Espasmo Nervoso

Artaud escreve como se estivesse sob tortura elétrica. Rejeitando a ditadura da palavra escrita e do texto lógico, ele defendia o som primal, o corpo a contorcer-se no palco, as luzes ofuscantes e os barulhos dissonantes que invadem o sistema nervoso. A sua prosa é um delírio lúcido, febril, quase impossível de ser lido sem sentirmos uma pontada no fundo do crânio.

"As palavras mentem, as lógicas falham. Apenas o espasmo do corpo diante do abismo é inegavelmente autêntico."

A Epifania

Louco de hospício ou profeta incompreendido? Artaud libertou a arte performática da gaiola das falas decoradas, exigindo que sentíssemos a violência de estar vivos. O seu legado assombra os corajosos e repele os covardes até aos dias de hoje.