O Sol que Cega a Moralidade

Meursault não chora no velório da mãe e, de repente, é o monstro da Argélia. Mas quem de nós nunca desejou apenas o conforto da anestesia emocional? Camus descreve o absurdo da existência: a sociedade não nos pune por cometermos erros, pune-nos por não fingirmos os sentimentos que o teatro social exige de nós.

A Estética do Sol Ardente

O calor em *O Estrangeiro* não é clima, é um personagem sádico. A prosa de Camus é seca, direta, esturricada pelo sol do norte da África. Não há lirismo excessivo, apenas a violência branca da luz refletida na areia que nos obriga a fechar os olhos e apertar o gatilho sem motivo lógico algum. A apatia de frases curtas como facadas rasas.

"Sísifo sorri porque percebeu a piada. A pedra sempre vai rolar abaixo, e a nossa única vingança é continuar empurrando-a com desprezo."

O Veredito Existencial

A pílula vermelha do existencialismo despida da pretensão de Sartre. Camus abraçou-nos e disse que, uma vez que nada disto faz o menor sentido e o universo é indiferente, somos, finalmente, assustadoramente livres.